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Pilates, Ioga e Olimpíadas

Treinos intensos, parte técnica apurada, forma física em dia, alimentação adequada. A mistura básica na preparação ideal para uma grande competição como os Jogos Olímpicos já está na ponta da língua de todo atleta de alto rendimento. A disputa cada vez mais acirrada por centésimos de segundo ou por centímetros, no entanto, têm feito muitos aspirantes ao pódio olímpico adicionarem ingredientes diferentes à receita do bolo. E, se o corpo está 100%, a aposta tem sido na parte mental.

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Graciele Hermann praticando o Método DeRose (Foto: Divulgação)Graciele Hermann passou a meditar para melhorar sua concentração (Foto: Divulgação)

Revelação da natação feminina brasileira, Graciele Herman procurava justamente algo além dos treinamentos em sua preparação para Londres quando conheceu o Método DeRose. A ideia é reeducar a respiração, administrar o estresse e melhorar a concentração e a flexibilidade.

- A gente faz muito trabalho de concentração e também de força. São vários exercícios, várias posições, misturando força e resistência. E também fazemos bastante meditação, que me ajuda muito na concentração dentro da piscina – explicou Graciele.

Graciele Hermann praticando o Método DeRose (Foto: Divulgação)A velocista já sente os efeitos da nova atividade
dentro da piscina (Foto: Divulgação)

Desde o início do ano, a nadadora gaúcha de 20 anos pratica as atividades extratreinamento duas vezes por semana. Apesar de poucos meses de dedicação à técnica, já consegue notar avanços na piscina. O principal deles é na respiração. Hoje, a velocista consegue resistir mais tempo sem respirar nos 50m livre, prova em que representará o Brasil em Londres.

- Faz muita diferença porque a gente trabalha muito hiperventilação, que oxigena mais o músculo para aguentar a segurar a respiração. Agora, tenho mais facilidade em aguentar. Ainda não consigo fazer os 50m sem respirar, até pelo pouco tempo de trabalho, mas tenho tido mais facilidade para respirar apenas uma vez. São centésimos de segundos que fazem diferença.

Um dos destaques da seleção brasileira de judô, Luciano Corrêa aprendeu com os erros do passado e também resolveu complementar seus treinamentos. O judoca acredita que foi justamente a falta de concentração que o tirou do caminho da medalha olímpica em Pequim-2008. Favorito ao ouro na categoria meio-pesado (até 100 kg), foi derrotado logo na estreia na China. Depois, chegou a vencer na repescagem, mas perdeu novamente na terceira luta.

- Não tive um bom resultado em Pequim muito pelo fator psicológico. Hoje, dou ênfase a isso. Tenho um preparador mental, que trabalha formas de se concentrar, de mentalizar. Tudo isso para controlar a ansiedade na hora. Na competição, quem estiver menos ansioso, menos nervoso, e souber tomar as melhores decisões, vai ter o melhor resultado. Então, eu procuro sempre me preparar mentalmente - contou o judoca, que também costuma tocar violino para relaxar.

Judoca Luciano Corrêa (Foto: Getty Images)Luciano Corrêa agora evita que problemas
psicológicos o prejudiquem (Foto: Getty Images)

Quatro anos depois, mais experiente e maduro, acredica que o seu psicológico acompanha a parte física. Aos 27 anos, Luciano não abre mão do contato constante com o seu preparador mental, o alemão Dietmar Samulski, formado em Educação Física, com especialização em Psicologia do Esporte. Além disso, o judoca ainda tem o acompanhamento psicológico oferecido pela seleção brasileira a todos os atletas.

- Faço preparação mental através de métodos de respiração, de mentalização, vendo vídeos antigos, através de postura... Hoje, só um bate-papo com o meu preparador, que é um cara que me entende muito, já ajuda muito a me blindar. Ele me acompanha durante os treinos. Tem dia que você está mais cansado, mais desmotivado. Tem dias que você está motivado além do equilíbrio. Então, ele tenta manter esse equilíbrio para eu chegar na melhor forma possível nas Olimpíadas - explicou o campeão mundial.

Atletas aderem a ioga, pilates e dança

Representantes de uma modalidade que mistura força física com apresentação coreográfica, Lara Texeira e Nayara Figueira costumam intercalar os treinos técnicos com vários outros exercícios. O dueto de nado sincronizado do Brasil faz regularmente um trabalho de expressão corporal que reúne elementos do ioga, pilates e as danças contemporânea e clássica.

As americanas Walsh e May, bicampeãs olímpicas no vôlei de praia, são adeptas das sessões de pilates. Walsh, aliás, costuma dizer que a técnica muito usada no tratamento de lesões na coluna foi a principal responsável pela recuperação rápida de sua forma física depois do nascimento de seus dois filhos. Entre os brasileiros, o ioga também tem atraído muitos atletas. Apontado como uma filosofia de vida, mistura preparação mental com exercícios físicos.

Remadoras brasileiras fazem yôga (Foto: Divulgação)Kissya Kataldo, Fabiana Beltrame e Luana Bartholo testaram o ioga (Foto: Divulgação)

Na reta final de preparação para as Olimpíadas, as remadoras Fabiana Beltrame, Luana Bartholo e Kissya Kataldo resolveram experimentar o ioga e aprovaram o resultado. A professora Letícia Portella explicou os benefícios que técnicas como essa podem trazer para um atleta de alto rendimento.

- Os benefícios principais são o aumento e melhor uso da capacidade respiratória, ganhando mais resistência e fôlego. Mais consciência corporal, melhora no alongamento, evitando lesões, câimbras, redução de estresse, controle das emoções e maior concentração. Acredito que o atleta que usa o ioga tem mais chance de alcançar melhores resultados, devido a um estado emocional e físico que a prática proporciona - explicou a professora, que também costuma trabalhar com surfistas e jogadores de futebol.

Fonte: globo.com, por Lydia Gismondi

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